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CUT lança campanha e adere ao Pacto Nacional Contra o Feminicídio

Presidenta da CNTSS/CUT contribui com debate de lançamento da campanha “Pela vida das mulheres, a luta é de todos”; na ocasião, com a presença da ministra das Mulheres, CUT adere ao pacto contra o feminicídio.

Publicado: 15 Maio, 2026 - 10h04 | Última modificação: 15 Maio, 2026 - 10h47

Escrito por: Assessoria de Imprensa da CNTSS/CUT

Roberto ParizottiRoberto Parizotti
Mesa abertura de lançamento da campanha cutista e adesão ao Pacto Nacional Contra Feminicídio

Reafirmando seu compromisso histórico e permanente com o combate à violência contra a mulher, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) realizou, na quarta-feira, 13/05, em sua sede, em São Paulo, seminário para lançamento da campanha permanente de combate ao feminicídio – “Pela vida das mulheres, a luta é de todos” – e oficializou sua adesão ao Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, lançado pelo governo federal em fevereiro deste ano.

O evento, que contou com representantes da CUT, de seus ramos e sindicatos e de setores da sociedade organizada, teve a participação da ministra das Mulheres, Márcia Lopes. O Ramo da Seguridade Social foi representado pela presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS/CUT) e secretária nacional de Combate ao Racismo da Central, Maria Júlia Reis Nogueira, que compôs a mesa de abertura e participou, na sequência, do seminário.

O crescimento da violência contra as mulheres, da misoginia e do preconceito tem assumido proporções inimagináveis no país, principalmente depois do governo misógino de Bolsonaro, seja nos espaços sociais, incluindo os locais de trabalho, seja no campo virtual das redes digitais, onde prolifera, de forma assustadora, o discurso de ódio contra as mulheres.

A questão da violência de gênero não pode ser observada como casos isolados, de características privadas e circunstanciais, por tratar-se de fenômeno com condicionantes sociais estruturantes que, infelizmente, apresenta-se como subproduto tóxico de uma estrutura historicamente patriarcal e machista. Portanto, exige respostas contundentes e eficazes do Estado e da sociedade organizada.

Campanha “Pela vida das mulheres, a luta é de todos”

A proposta da CUT é, a partir da campanha e com a adesão ao plano do governo federal, ampliar sua ação de combate a todas as formas de violência contra a mulher e ao feminicídio em todas as suas estruturas sindicais, fazendo com que o tema seja discutido internamente, de forma cotidiana, com suas lideranças sindicais e trabalhadores de suas bases, por meio de momentos de formação que se desdobrem em ações e estratégias de acolhimento às mulheres em situação de violência, de mobilização da sociedade e, inclusive, passe a constar nos processos de negociação coletiva a temática da violência de gênero.

Roberto ParizottiRoberto Parizotti
Mesa de abertura do Seminário de lançamento da campanha e adesão ao Pacto Contra Feminicídio

A secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Amanda Corcino, em seu pronunciamento na mesa de abertura, fez questão de afirmar que as iniciativas assumidas naquele momento pela Central não são meras formalidades ou gestos simbólicos; tratam-se de compromissos assumidos com grande responsabilidade e que devem se materializar em ações nas estruturas sindicais e nos espaços sociais e de trabalho da classe trabalhadora.

“Hoje (13/05) é um dia importante, porque vamos lançar na Central esta campanha de combate ao feminicídio. Estamos completando quarenta anos da organização das mulheres na CUT, que começou com a luta por creche. São quatro décadas construindo uma política de gênero na Central. Nesta campanha atual, queremos dizer que precisamos do envolvimento de toda a sociedade. Não é um problema só das mulheres. Precisamos do envolvimento dos homens, que devem romper o silêncio e sair em defesa das mulheres”, afirma a dirigente.

Juvândia Moreira, vice-presidenta da CUT, também reforçou que esta ação deve envolver os homens. Para ela, o feminicídio é uma triste realidade que precisa ser combatida por todas as vozes e em todos os espaços e oportunidades, inclusive nos momentos de negociação coletiva, quando se devem pensar propostas e cláusulas a serem negociadas nas campanhas das categorias, envolvendo prevenção, acolhimento e proteção às trabalhadoras vítimas de violência. “O movimento sindical realmente não é só a luta por salário e direitos, mas pela vida e pela dignidade das mulheres e meninas. Estamos discutindo aqui o direito à vida. A atividade de hoje dá um novo incentivo a esta jornada que já vem acontecendo”, conclui.

Sérgio Nobre fez questão de destacar o problema do crescimento da violência contra a mulher e o número de casos de feminicídio. A adesão da CUT ao pacto e o lançamento da campanha, exemplifica, são importantes por intensificarem o engajamento do movimento sindical nesta dura batalha. Demonstrou concordância com os pronunciamentos feitos sobre a participação dos homens ser fundamental para o combate a essas manifestações de violência.

“O agressor é o homem. Por isso, é muito importante o engajamento dos homens no combate ao feminicídio. Precisamos preparar nossas lideranças. Se conseguirmos envolver o movimento sindical, vamos conseguir, dentro do mundo do trabalho, perceber esses tipos de violência, dar acolhimento e encaminhar para a rede adequada. Quantas vidas nós vamos poder salvar?”, indaga a liderança.

Luta contra o feminicídio é inseparável da luta antirracista

Maria Júlia Nogueira, em seu pronunciamento, contextualizou a relevância da iniciativa numa data em que se completam 138 anos da abolição formal da escravidão, naquilo que a dirigente classifica como “abolição inacabada”. Para a dirigente, o enfrentamento à violência contra as mulheres e ao feminicídio não pode ser separado da luta antirracista, uma vez que este tipo de crime atinge principalmente as mulheres negras.

Roberto ParizottiRoberto Parizotti
Presidenta da CNTSS/CUT durante abertura de lançamento da campanha contra feminicídio

“A violência tem gênero e cor. Neste 13 de maio, em que simbolicamente a CUT assina o pacto de combate ao feminicídio, temos que somar nossas forças. A luta contra o feminicídio é inseparável da luta antirracista, dado que a violência atinge de forma ainda mais cruel as mulheres negras em nosso país. O feminicídio não começa na morte. Ele é o topo de uma pirâmide de violência que começa no assédio, na humilhação, no controle psicológico, na violência moral, patrimonial e física”, destaca Júlia Nogueira.

A ministra das Mulheres foi enfática ao dizer que é preciso unir esforços para que a violência e o feminicídio não atinjam seu patamar mais extremo. Entende como uma ação de grande valor a CUT assinar o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, do governo federal, e anunciar a campanha de combate ao feminicídio – “Pela vida das mulheres, a luta é de todos”. Agradeceu pelas sugestões entregues pela CUT e comprometeu-se a discutir com a equipe do ministério o conteúdo do documento. A Central preparou uma proposta de cláusulas para serem negociadas nas campanhas salariais, envolvendo prevenção, acolhimento e proteção às trabalhadoras vítimas de violência.

Márcia Lopes também cobrou o envolvimento dos homens – “já que são eles que matam” – nas ações de combate ao feminicídio, que considera ser o fim da linha de um ciclo de abusos e violência e que precisa ser denunciado e acompanhado de políticas públicas eficazes. Para ela, há um desafio cultural imenso para conquistar a reversão deste quadro de violência, assim como combater o avanço da violência digital e de grupos misóginos, como a “machosfera” e movimentos “redpill”, este último formado por grupos de homens com discurso de ódio contra as mulheres.

“O Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, que foi lançado em fevereiro e para o qual já foi formado um comitê gestor, precisa envolver os Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). O pacto tem por objetivos o fortalecimento da rede de proteção e atenção às mulheres; a responsabilização dos agressores e instituições, que devem fazer cumprir o que é necessário; e a mudança da cultura. É um desafio mudar esta cultura. É fundamental que a CUT tenha dado este passo importante, demonstrando o compromisso que suas entidades têm com a luta das mulheres”, enfatiza.

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Adesão ao Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio

A vice-presidenta do Instituto Maria da Penha, Regina Célia, vê a oportunidade de os sindicatos atuarem ativamente na disseminação das ações de prevenção, sempre mantendo a coerência de comprometimento dentro de suas próprias estruturas. “A prevenção do feminicídio exige que os sindicatos aprendam a identificar sinais, acolher, acionar a rede e transformar o trabalho em espaço de proteção, e não de omissão. Os espaços sindicais não estão imunes ao machismo, ao racismo, ao assédio e à violência política de gênero”, mencionou.

Maria Auxiliadora, liderança da Força Sindical, representou o Fórum das Mulheres das Centrais Sindicais e fez menção ao importante papel que os movimentos feministas, populares e sindicais tiveram na construção das dimensões pública e política da violência doméstica. Mencionou que não há enfrentamento real à violência sem autonomia econômica, democracia e combate às desigualdades. “Não existe enfrentamento real à violência contra as mulheres sem combater a desigualdade que torna tantas de nós vulneráveis ao medo, à dependência econômica e ao abandono”, disse.

Lançamento da campanha cutista

O segundo momento do seminário contou com a mesa coordenada pela secretária da Mulher Trabalhadora da CUT São Paulo, Márcia Viana. Contribuíram com a discussão a secretária de Combate ao Racismo da CUT São Paulo, Rosana Silva; a secretária de Mulheres da CONTRAF-CUT, Fernanda Lopes; a presidenta da Casa Margarida Barreto, Lu Varjão; e a secretária nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais. Na ocasião, foram expostas experiências de enfrentamento à violência de gênero e reiterada a compreensão de que os sindicatos devem ser espaços de proteção às mulheres e de combate ao racismo.

Finalizando a agenda, foi realizado o lançamento da campanha da CUT “Pela vida das mulheres, a luta é de todos”. A mesa reuniu a secretária de Formação da CUT, Rosane Bertotti; a secretária adjunta de Mulheres da CUT, Mara Feltes; a secretária de Combate ao Racismo da CUT e presidenta da CNTSS/CUT, Júlia Nogueira; a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Amanda Corcino; e a vice-presidenta da CUT, Juvândia Moreira.

Roberto ParizottiRoberto Parizotti
Lançammento da campanha “Pela vida das mulheres, a luta é de todos”

Apresentada por Amanda Corcino, a campanha é resultado do diagnóstico do aumento da violência, do discurso de ódio contra as mulheres e do feminicídio. A iniciativa, que tem por objetivo criar uma rede permanente de proteção no mundo do trabalho e no movimento sindical, propõe mobilizar trabalhadores e incluir o combate à violência nas negociações coletivas.

Há, para tanto, um caráter formativo da campanha, com a inclusão da questão racial e a incorporação de propostas de cláusulas para convenções e acordos coletivos voltadas à proteção das trabalhadoras, incluindo acolhimento e estabilidade em casos de violência doméstica. A CUT, segundo os idealizadores da proposta, terá o desafio de transformar sindicatos em espaços de prevenção, proteção e mobilização permanente.

A campanha permanente da CUT prevê ações planejadas ao longo de 2026, incluindo a implementação do Protocolo da CUT de Combate ao Assédio e às Violências de Gênero, a construção de pautas para negociação coletiva em campanhas salariais e iniciativas de formação, comunicação e mobilização nos sindicatos e entidades filiadas.

Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio

Lançado em fevereiro de 2026 pelo governo federal, é uma iniciativa conjunta dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) para coordenar ações de prevenção, proteção e responsabilização no combate à violência letal contra mulheres e meninas. O acordo visa frear o recorde de feminicídios, focando na celeridade das medidas protetivas e no combate ao machismo estrutural.

Objetivos:

  • Efetivar o cumprimento célere das medidas protetivas de urgência
  • Fortalecer as redes de enfrentamento à violência contra meninas e mulheres em todo o território nacional
  • Promover informação sobre os direitos das meninas e mulheres para toda a sociedade
  • Promover responsabilização célere e efetiva dos autores de violência
  • Transformar a cultura institucional nos Três Poderes
  • Capacitar agentes públicos com perspectiva de gênero
  • Enfrentar o machismo estrutural
  • Sensibilizar meninos e homens na defesa dos direitos das mulheres e pelo fim da violência contra meninas e mulheres
  • Enfrentar a violência digital contra meninas e mulheres
  • Compartilhar dados e informações entre instituições

 

DivulgaçãoDivulgação

 

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José Carlos Araújo

Assessoria de Imprensa da CNTSS/CUT