A cada dia que passa a atitude irresponsável do governo Bolsonaro em relação ao combate à pandemia do Covid-19 e de desrespeito à vida da população brasileira fica mais explicita a partir de denúncias da imprensa. Desta vez, a insensatez deste governo foi desmascarada pelo jornal o Estado de S. Paulo na sua edição do domingo, 22 de novembro, em matéria sob o título “Prazo de validade pode levar governo federal a jogar fora 6,8, milhões de testes”. São doses do teste tipo RT-PCR, que está entre os mais eficazes para diagnosticar o contágio, com prazos de vencimento entre dezembro deste ano a janeiro de 2021, que foram comprados pelo Ministério da Saúde e estão armazenados em galpões federais no município de Guarulhos (SP).
A matéria do jornal também demonstra o descaso com o erário ao constatar um prejuízo que pode chegar a R$ 290 milhões. O Ministério da Saúde tenta minimizar o desastre buscando análise junto ao fabricante que permita prorrogar a validade dos produtos. O caso está causando um embate entre o Ministério da Saúde e os governos municipais e estaduais. O Ministério justifica que os testes estavam à disposição dos governos. A resposta das gestões municipais e estaduais foi a denúncia que não foram entregues Kits e máquinas para análise de testes. No meio deste imbróglio de muitas acusações, o fato real é que a população está desassistida. Situação que não pode persistir. Se a União não assume suas responsabilidades, cabe às demais esferas de governo cobrarem as medidas de defesa da vida da população. Há dois erros explícitos: o desprezo federal e a inoperância dos demais entes. Mas apenas um prejudicado: o povo brasileiro.
Num país cuja taxa de testagem é irrisória e que já conta com mais de 170 mil mortes por Covid-19, atitudes como estas demonstram o desprezo que se tem com a vida e com o cidadão brasileiro. A CNTSS/CUT – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social tem denunciado várias situações de descaso das autoridades governamentais no combate à pandemia, entre elas a falta de uma política de testagem abrangente que auxilie na preservação das vidas dos trabalhadores essências e de toda a população. Inúmeros têm sido os casos em que as suas entidades filiadas tiveram que acionar a Justiça para conquistar a testagem para estes trabalhadores e para conseguir equipamentos de segurança e proteção. O descalabro desta situação é impensável, basta ver que o SUS, com toda a luta de seus profissionais, conseguiu realizar cerca de 5 milhões de testes em todo o Brasil.
A Confederação considera inadmissível mais esta situação criada pelos governos e pretende acompanhar os desdobramentos que o caso terá para que os responsáveis sejam punidos e que ocorra a preservação do direito de todo o cidadão à testagem. Neste momento em que vemos a retomada do crescimento de casos de contaminação e de óbitos por todo o país, considerada pelos estudiosos como a junção entre a primeira e segunda onda, é fundamental uma política de testagem agressiva que possibilite diagnosticar os casos e cuidar do isolamento necessário. Foi desta forma que muitos países conseguiram evitar tragédias ainda maiores entre suas populações. Mas como para Bolsonaro a pandemia é uma “gripezinha” e a vacinação uma ação desnecessária, só resta aos demais setores da sociedade se unirem para contrapor esta política negacionista e genocida que vem ceifando a vida de milhares de brasileiros.
CNTSS/CUT – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social
Novembro de 2020