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25 de Julho: dia de luta e de resistência da mulher negra

Escrito po: Maria Julia Nogueira

29/07/2015

Nações Unidas declararam a Década internacional dos Afrodescendentes, com o tema Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento, com início em 01 de janeiro de 2015 e seguirá até 31 de dezembro de 2024

 

No dia 25 de julho, celebra-se o Dia da Mulher Afro-Latina-Americana e Caribenha. Esta data foi criada em 25 de julho de 1992 durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingo, na República Dominicana, como marco internacional da luta e da resistência da mulher negra.

 

No Brasil, a data também homenageia Tereza de Benguela, uma líder quilombola que viveu no atual estado do Mato Grosso, no Brasil, durante o século 18. Foi esposa de José Piolho, que chefiava o Quilombo do Piolho. Sob a liderança da Rainha Teresa, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas. Ela comandou a estrutura política, econômica e administrativa do Quilombo.

 

Ainda nos dias de hoje, apesar de todas as lutas e resistência, a mulher negra apresenta o menor nível de escolaridade, trabalha mais, porém com rendimento menor, em condições precárias e de informalidade. As poucas que conseguem romper as barreiras do preconceito e da discriminação racial e ascender socialmente necessitam se empenhar mais e abdicar de outros aspectos de suas vidas, como lazer, relacionamento e maternidade.


Outro problema enfrentado pelas mulheres negras é o genocídio da juventude negra. O número de mortes de jovens negros, entre 15 e 24 anos, é 139% maior do que de brancos. Segundo o Mapa da Violência 2012, entre 2001 e 2010 o número de vítimas brancas, de 15 a 24 anos, caiu 27,5% (de 18.852 para 13.668), enquanto que de vítimas negras aumentou 23,4% (de 26.952 para 33.264).

 

Devido a todos os problemas enfrentados por mulheres e homens negros, as Nações Unidas declararam a Década internacional dos afrodescendentes, com o tema Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento,  que teve início no dia 01 de janeiro de 2015 e seguirá até 31 de dezembro de 2024. Durante este período, as Nações Unidas e governo brasileiro planejam ações de combate à discriminação sofrida por descendentes de vítimas da escravidão e de africanos que migraram mais recentemente. As ações devem começar a ser discutidas entre governo e movimentos sociais em novembro, mês da Consciência Negra, e seguem os eixos propostos pela ONU.

 

Somando a estas lutas, no mesmo mês de novembro, no dia 18, as mulheres negras ocuparão a Esplanada dos Ministérios em Brasília. Elas preparam uma marcha nacional contra o racismo, a violência e pelo bem viver. Esta marcha será um marco da luta e resistência da mulher negra contra a opressão de gênero, o racismo e a exploração de classe.

 

O dia 25 de julho é um dia para sempre ser lembrado como um marco na luta das mulheres negras, mas esta luta não é uma luta de apenas um dia, ela é uma luta diária e constante. A CUT sempre fez parte desta luta, desde sua fundação sempre lutou contra toda e qualquer discriminação e deu um grande passo quando em 2009 criou a Secretaria Nacional de Combate ao Racismo e as 27 secretárias em todas as CUT Estaduais. Além da criação destas estruturas, a CUT sempre foi protagonista nesta luta, tendo como o objetivo ampliar e fortalecer estratégias para a inserção de temáticas voltadas para o enfrentamento ao racismo, sexismo, discriminação, preconceito e demais desigualdades raciais e sociais.  

 

Durante a Década Internacional, nós da CUT vamos ampliar nossas lutas e parcerias, buscando dar maior visibilidade ao combate ao racismo, pela valorização da cultura negra pela sociedade brasileira e para que haja igualdade de oportunidades entre negros e brancos no Brasil. Seguiremos lutando para que negros e brancos possam ter as mesmas oportunidades e para que o racismo e a discriminação não façam mais parte do nosso cotidiano.

 

 

 

Maria Julia Nogueira, Secretária Nacional de Combate ao Racismo

 

 

 

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