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CNTSS > ARTIGOS > O AUMENTO DO SALÁRIO MÍNIMO NÃO É UMA POLÍTICA DE GENEROSIDADE

O aumento do salário mínimo não é uma política de generosidade

Escrito po: Alci Matos Araujo, presidente da Contracs

29/06/2012

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo em 9 de junho, a senadora (PSD/TO) Kátia Abreu classificou os aumentos do salário mínimo como generosos, sendo inclusive motivo para possível elevação da inflação. No entanto, gostaria de lembrar a senadora que a Política de Valorização do Salário Mínimo é uma política séria e que, inclusive, tem injetado dinheiro suficiente na economia para que não fraquejássemos durante a crise econômica mundial vigente desde 2008.

A Política Permanente de Valorização do Salário Mínimo, acordada em 2007, pretende se estender até 2023 e tem como critério repassar no reajuste anual salarial a inflação do período, o aumento real pela variação do PIB e a antecipação da data-base de revisão. Com isso, estima-se que apenas em 2012 R$ 47 bilhões sejam incrementos de renda na economia e outros R$ 22,9 bilhões incrementem a arrecadação tributária sobre o consumo.

Se isto é ruim para a economia, desconheço o que deve ser bom. Historicamente têm-se atribuído ao trabalhador apenas o nível de subsistência, a política de valorização do trabalho mínimo vem para mudar a realidade da grande massa da população excluída do desenvolvimento econômico.

Já a senadora garante que o que é bom é flexibilizar o mercado de trabalho, privilegiar o entendimento direto entre empresários e trabalhadores, além de outras questões. São interesses somente de uma determinada classe social do nosso país, para a progressiva concentração de renda.

Para a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços da CUT (Contracs/CUT), flexibilizar o mercado de trabalho nada mais é que a precarização do trabalho, assim como privilegiar o entendimento direto entre empresários e trabalhadores nada mais é que enganar o trabalhador e retirar algo que lhe é mais precioso: o sindicato, que unido garante força e estratégia em sua luta.

Apesar dos argumentos de Kátia Abreu em seu artigo, a Contracs concorda com dois pontos levantados pela senadora. Um é que o país precisa crescer e outro é que a renda média dos brasileiros ainda é claramente insatisfatória. Nestes pontos concordamos e, por isso e para isso, defendemos a manutenção da política de valorização do salário mínimo para que se alcance, um dia, o mínimo necessário que o Dieese calcula que seria de R$ 2.383,28 em maio de 2012. Então, quem sabe, teremos um país grande, desenvolvido e com rendas salariais maiores.

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