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Cerco à Grécia: o fim das metáforas

Escrito po: Saul Leblon – Carta Capital

12/06/2012

O exército do dinheiro afia as armas e prepara o cerco à sociedade grega. Faz parte desse planejamento inocular doses crescentes de terror psicológico na sua população. O Brasil sabe como essa coisa funciona: vazamentos; chantagens; manchetes encadeadas; ataques a reputações, interditos e linchamentos ideológicos. Já está acontecendo; deve ganhar intensidade nesses cinco dias que antecedem o pleito de domingo na Grécia. É uma página da história que convém ler com vagar. 

Onze milhões de pessoas decidirão se a economia que representa apenas 2% do PIB europeu passará a trabalhar pela sociedade ou contra ela para continuar a servir a banqueiros e credores que já ficam com 97% de suas receitas (inclusive linhas de 'socorro'). A crueza do conflito instalado pela desordem neoliberal no país - com o apoio ativo da elite local - é tal que colocou em desuso as metáforas. 

A Grécia corrobora a tese de que a democracia promete mais do que o capitalismo pode dar e está disposto a conceder. Soberania na escolha do futuro, por exemplo, e direito de rejeitar as bases desastrosas do passado. A economia grega patina em recessão há quatro anos. O dado disponível para este ano aponta uma nova queda do PIB da ordem de 6,5% no primeiro trimestre. O desemprego de 21,9% é o segundo maior do euro. 

Abaixo dele, apenas o da Espanha, 'socorrida' também pelos credores neste sábado em troca de contrapartidas que o governo direitista prefere até ocultar. Os gregos têm sacudido nas ruas a aparente frieza do desastre neoliberal. E o fazem também com a própria vida. As taxas de suicídio cresceram mais de 40% na crise, em chocante contraste com aboutade mercadista de Angela Merkel, para quem tudo ali se resume a uma indolência inata ao trabalho. 

Os indolentes querem assumir o comando do seu destino nas eleições de domingo, mas uma gigantesca operação de asfixia está em curso para sufocar o levante antes que ele se cristalize. A sociedade que já perdeu 1/5 de quase tudo, empregos, salários, aposentadorias, leitos hospitalares etc está sendo ameaçada de confinamento financeiro e político se insistir em reinventar seu contrato social nas urnas.

Para que servem então as urnas se o anterior foi literalmente destruído "pelas imposições dos mercados', conforme disse à Carta Maior, Errikos Finalis, dirigente do secretariado do Syriza, em entrevista ao correspondente em Londres, Marcelo Justo. 

Respostas nada amigáveis partem de Bruxelas, Berlim e do FMI. As setas advertem: se a esquerda vencer dia 17, os gregos perderão o direito de sacar livremente seu dinheiro nas agências bancárias; sua cidadania européia sofrerá uma cassação branca: acena-se com restrições à migração nas zonas de fronteiras do euro; o fluxo de capitais será administrado pelas autoridades de Bruxelas. 

Involuntariamente, ou não, na forma e no conteúdo, o capital financeiro e seus aparatos assumem diante da audácia grega a natureza de uma força de ocupação que captura a máquina do Estado, domina as instâncias do mercado e desautoriza as prerrogativas da democracia - a menos que os eleitores se resignem ao estado de exceção permanente.

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