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O sindicalismo brasileiro e a crise internacional

Escrito po: Quintino Severo, é secretário geral da Central Única dos Trabalhadores e conselheiro da CUT no Codefat

25/11/2011

 Os ventos que sopram da Europa vêm carregados... e cheiram mal. Redução de salários, aumento da jornada de trabalho, cortes nos investimentos sociais e nos empregos públicos, maior tempo de contribuição para a aposentadoria, entre outras torturas. E para quê? Para ampliar a sangria de recursos do Orçamento, dinheiro que pertence ao conjunto da população, para socorrer o parasitismo de um sistema financeiro falido.

 Infelizmente, este não é um filme de ficção, mas de terror, onde o dono do cinema quer que a classe trabalhadora pague – e caro - para ver a continuação do mesmo filme da crise de 2008. Pelo cenário de grande turbulência internacional podemos afirmar que esta não é só uma crise econômica, mas de projeto, onde os Estados nacionais são colocados para salvar os Bancos Centrais que haviam socorrido os bancos privados para evitar “a quebradeira e a contaminação”. Agora, querem que os trabalhadores paguem este irresponsável socorro ao sistema financeiro com a piora das suas condições de vida e trabalho. A proposta dos especuladores é mais doses bem amargas do mesmo remédio, com prazo vencido. Para garantir sua aplicação privatizam a política, substituindo presidentes e ministros por homens de confiança dos grandes bancos. É a raposa tomando conta do galinheiro.

 Diante da irracionalidade desta lógica da depredação e do assalto ao patrimônio que é de todos, nossa resposta deve continuar sendo a de denunciar o insano descaminho apontado pelos governos dos países centrais, que vai na contramão de tudo o que construímos nos últimos anos, e perseverar na construção de alternativas que reafirmem a soberania nacional e popular.

 Ao contrário do receituário neoliberal e privatista, o momento torna inadiável a defesa do mercado interno, motor do desenvolvimento, com valorização do trabalho e distribuição de renda. Esta é a linha prioritária do projeto que tanto lutamos para construir. Precisamos ampliar o crédito, valorizar os salários e o mínimo, implementar políticas públicas que reforcem o protagonismo do Estado e os investimentos na infraestrutura e nas áreas sociais. Foi esta a orientação das urnas que elegeram e reelegeram um projeto de mudanças, que dialoga com as aspirações do povo e da sociedade brasileira.

 SINAL AMARELO PARA A INDÚSTRIA

 Os números de setembro divulgados pelo IBGE fizeram soar o alerta: apontam uma queda de 4,2% na produção industrial do Estado de São Paulo. O retrocesso verificado na região com parque industrial mais diversificado - e que concentra quase 40% de toda a produção fabril do país – é um reflexo nu e cru dos seguidos aumentos da taxa Selic, combatidos e denunciados com veemência pela nossa Central. Com a autoridade de quem alertou para o descaminho, lembramos que este é o resultado de cinco aumentos seguidos da taxa Selic, da asfixia e encarecimento do crédito, do corte de R$ 50 bilhões do Orçamento, aos quais se somaram a absurda e mais do que equivocada preferência pela destinação de recursos às multinacionais e a conglomerados nacionais aspirantes a monopólios.

 Ao serem colocados nas nuvens, os juros mais altos do mundo – que só agora começaram a ser reduzidos, e ainda de maneira tímida - turbinaram a procura pelo real, que se valorizou e possibilitou que os estrangeiros pudessem vender seus produtos em nosso país com mais facilidade, causando enorme estrago no emprego e nos salários.

 Assim, além de vitaminar as importações, que ameaçam categorias como a do Vestuário, com cerca de dois milhões de trabalhadores e trabalhadoras, o juro alto turbina a especulação. Vale lembrar que cada 1% de aumento na taxa de juros significa mais R$ 20 bilhões do Orçamento para os rentistas e menos R$ 20 bilhões para a população.

 Controle do câmbio, redução de juros, valorização do mercado interno e fortalecimento do poder aquisitivo dos salários são medidas que darão maior musculatura ao país para enfrentar a queda de braço com a crise. Para nos fortalecermos, é hora de somar. Este é o nosso projeto para vencer a crise.

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