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Rede Sindical Brasileira UNISaúde: falta de testes põe em risco profissionais de saúde e sociedade

14/07/2020

Testagem de Covid-19 só ocorre quando há presença de sintomas da doença. Entidades de profissionais de saúde cobram de estados agilidade na liberação de testes em estoque no governo federal

Escrito por: UniGlobal Américas

 

A Rede Sindical Brasileira UNISaúde alerta que a falta de testes disponíveis, principalmente nas redes públicas de saúde, tanto estaduais quanto municipais, colocam em risco a saúde e a vida dos profissionais da linha de frente da pandemia de Covid-19 no Brasil e, consequentemente, a sociedade como um todo.

 

Por essa razão, a rede sindical, juntamente com seus sindicatos e federações afiliados, conclamam que os governos estaduais agilizem a liberação dos testes atualmente em estoque no Ministério da Saúde.

 

Conforme dados da Secretaria de Vigilância em Saúde, no último dia 30 de junho havia 7,67 milhões de testes RT-PCR em estoque, enquanto pouco mais de 3,8 milhões foram distribuídos.

 

“É importante garantir um ambiente de trabalho seguro aos profissionais de saúde. Testando a todos, vamos cuidar de quem cuida, além de garantir que também não sejam vítimas. É responsabilidade das empresas médicas e dos governos, tanto nas esferas federal, estadual e municipal, que os testes sejam disponibilizados, inclusive aos não assintomáticos”, pontua Márcio Monzane, Secretário Regional da UNI Américas. 

 

Entidades de profissionais de saúde sob o guarda-chuva da Rede Sindical UNISaúde ingressaram com várias ações judiciais para assegurar a testagem de Covid-19 aos profissionais de saúde. Além disso, o Cofen (Conselho Nacional de Enfermagem) obteve, em maio, decisão favorável no Tribunal Regional Federal da 1ª Região para seu agravo de instrumento que pedia a garantia de realização de testes aos profissionais de enfermagem, por parte do governo federal, incluindo os que não apresentam sintomas da doença.

 

Contudo, a realidade dos profissionais na linha de frente do combate à doença ainda está longe do ideal. Representantes de sindicatos e federações dos profissionais de saúde de todo Brasil denunciam que, desde o início da pandemia, em março passado, a baixa testagem desses profissionais tem provocado mortes e afastamentos pela doença, o que também afeta a eficiência do atendimento das vítimas da Covid-19.

           

Sentindo na pele

 

A técnica em enfermagem Nicoli Iara Santos Mota sentiu na pele o problema da falta de testagem para Covid-19 no Hospital Ouro Verde, em Campinas (SP), onde trabalha na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Ela teve os primeiros sintomas da doença em março, mas só realizou o teste quando já estava na UTI, cerca de um mês depois.

 

“No dia 17 de março, fui trabalhar e comecei a ter sintomas de gripe, como tosse, coriza. Passei no pronto-atendimento do hospital e a médica que me atendeu me deu 14 dias de atestado. No entanto, o médico do trabalho mandou que eu voltasse para o trabalho nove dias depois”, conta.

 

No entanto, os sintomas permaneciam. Ela trabalhou alguns dias, mas, como estava com muita dor nas costas, passou em outro médico, que a medicou e a mandou de volta para casa. Nesse período, passou mal em casa, o pai a levou ao hospital onde trabalha, onde finalmente realizou exames como tomografia e gasometria. No fim da tarde, foi levada para a UTI. Ficou 21 dias entubada – inclusive realizou traqueostomia - e mais dois respirando com a ajuda de aparelhos. A via-sacra toda durou de 07 de abril a 06 de maio. Ela voltou para o trabalho na penúltima semana de junho.

 

“Quando estava internada, mais técnicos chegaram a se afastar por causa da doença. Hoje, a testagem para quem apresenta sintomas está melhor, mas não há controle sobre os assintomáticos. Creio que os testes deveriam ser feitos a cada 15 dias, porque hoje pode dar negativo, mas daqui a alguns dias a gente não sabe como vai ser”, sugere.

 

No Rio de Janeiro, segundo estado com o maior número de mortes pela doença no país, tanto de profissionais de saúde quanto da população em geral, só há testes disponíveis para cobrir 10% do número profissionais de saúde do estado e município. Ao todo, o Rio conta com 291 mil enfermeiros e técnicos de enfermagem.

 

“Não temos oferta de teste suficientes para atender a esses trabalhadores, o que coloca a saúde deles em risco, bem como a de seus colegas de trabalhos, de familiares e pacientes”, diz Líbia Bellusci, vice-presidente do Sindenf-RJ (Sindicato dos Enfermeiros do Rio de Janeiro). A situação, segundo ela, só está um pouco melhor na rede privada, mas, ainda assim, é insuficiente.

 

Ainda de acordo com Líbia, que é enfermeira da UPA-Penha (Unidade de Pronto Atendimento da Penha) e do SAMU do Rio, a testagem de profissionais ocorre somente quando há sintomas.

           

“Eu tive corona e consegui fazer o teste no projeto da UFRJ (Centro de Triagem Diagnóstica da Universidade Federal do Rio de Janeiro). Entrei na fila com febre de 40 graus, e achei maravilhoso por ter conseguido antes de ter os sintomas graves da doença”, conta a enfermeira, que ficou preocupada em não transmitir o vírus para a mãe e a filha.

 

O Sindenf-RJ chegou a encaminhar ofícios para as secretarias municipal e estadual de saúde solicitando que mais testes fossem disponibilizados e, embora tenha havido uma melhora, o número ainda é insuficiente.

           

Mortes

 

Conforme o Observatório da Enfermagem elaborado pelo Cofen (Conselho Federal de Enfermagem), até o dia 30 de junho foram registradas 220 mortes de enfermeiros e técnicos. O número total de casos registrados da doença entre esses profissionais é de 22.209, sendo 8.371 confirmados, 1.560 não confirmados e 11.690 suspeitos.

 

O número de médicos mortos, segundo balanço do próprio Ministério da Saúde, ultrapassava os 200 no fim de junho.

 

Sobre a Rede Sindical Brasileira UNISaúde:

 

Rede Sindical Brasileira UNISaúde é composta de entidades sindicais brasileiras que atuam na área da saúde, abarcando várias centrais sindicais localizadas em múltiplos estados e regiões do país. A Rede foi formada sob a égide da UNI Américas, a federação internacional de sindicatos da saúde privada nas Américas.

 

Abaixo, confira a lista de federações e sindicatos da área de saúde que fazem parte Rede Sindical Brasileira UNISaúde:

UNI Global Union

Sindsaúde ABC

Sindisaúde Passo Fundo e Região RS

Sindicato da Saúde de Apucarana e Região

Sindicato dos Enfermeiros da Bahia

Sindicato da Saúde da Bahia

Sindicato da Saúde de Belo Horizonte e Região

Sindicato da Saúde de Campo Mourão

Sindicato da Saúde de Cornélio Procópio e Região

Sindicato da Saúde de Curitiba e Região

Sindicato da Saúde de Foz do Iguaçu e Região

Sindsaúde Guarulhos e Região

Sindicato da Saúde de Irati e Região

Sindicato dos Enfermeiros do Rio Grande do Sul

Sindicato dos Enfermeiros do Rio de Janeiro

Federação dos Empregados em Serviços de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul

Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindSaúde-SP)

Sindicato da Saúde de Toledo

Sindicato da Saúde de Umuarama e Região

Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo

Sindicato da Saúde de Araçatuba e Região

Sindicato da Saúde de Bauru e Região

Sindicato da Saúde de Campinas e Região

Sindicato da Saúde de Franca e Região

Sindicato da Saúde de Jau e Região

Sindicato da Saúde de Piracicaba e Região

Sindicato da Saúde de Presidente Prudente e Região

Sindicato da Saúde de Ribeirão Preto e Região

Sindicato da Saúde de Rio Claro e Região

Sindicato da Saúde de Santos e Região

Sindicato da Saúde de São José do Rio Preto e Região

Sindicato da Saúde de São José dos Campos e Região

 

 

Adriana Cardoso

 

 

 

 

 

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