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Associação americana de juristas reconhece Lula como preso político

06/05/2019

Destacam que Lula foi impedido de concorrer à Presidência e proibido de dar entrevistas e condenam a violação do preceito constitucional da presunção de inocência até o julgamento final do processo

Escrito por: CUT / Com informações do Brasil247

 

 Foto: RICARDO STUCKERT

 

A Associação Americana de Juristas (AAJ) publicou na quinta-feira (2) uma declaração oficial na qual reconhece o ex-presidente Lula como preso político.

 

A AAJ, ONG com estatuto consultivo no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, já havia denunciado a perseguição a Lula durante a Assembleia Geral da 39ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, no ano passado. Esta é a primeira vez, no entanto, em que a entidade declara Lula oficialmente como preso político.

 

A declaração destaca que Lula deixou seu governo com mais de 80% de popularidade e, no ano passado, foi não apenas impedido de concorrer à Presidência da República como também foi proibido de dar entrevistas ou de se manifestar publicamente. O documento condena ainda a violação do preceito constitucional da presunção de inocência até o julgamento final do processo.

 

Para a associação, está demonstrado que a prisão teve motivação política, sem relação com o suposto delito usado para acusar Lula e a pena pretende "afastar a figura pública de Lula da Silva do processo político nacional".

 

Os juristas são diretos ao afirmar no documento que "Esses fatos enquadram o caso naquilo que o Conselho da Europa define juridicamente como uma prisão política, e a Anistia Internacional como uma prisão de consciência".

 

Confira a tradução livre do documento:

 

Declaração da Associação Americana de Juristas reconhecendo Luiz Inácio Lula da Silva como preso político

 

A Associação Americana de Juristas (AAJ), organização não-governamental com estatuto consultivo nas Nações Unidas, manifesta sua preocupação pelo prolongado encarceramento de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, ainda que a pena tenha sido reduzida por uma corte superior. Esta condenação foi determinada como consequência de uma acusação produzida em violação do devido processo legal, com prejuízo ao direito da defesa, sem provas, e em um processo dirigido pelo juiz Sérgio Moro. Moro é o atual Ministro da Justiça e foi nomeado tão logo o novo governo entreguista e ultradireitista de Jair Bolsonaro tomou posse, beneficiado nas eleições pelo afastamento de Lula da Silva como candidato presidencial, que tinha ampla preferência nas pesquisas eleitorais.

 

Lula da Silva deixou seu governo com mais de 80% de aprovação. Em agosto de 2018, o Tribunal Superior Eleitoral invalidou sua candidatura e lhe proibiu de se manifestar politicamente da prisão, assim como proibiu seu partido de usar sua popular imagem na campanha eleitoral.

 

É importante assinalar que a Constituição Brasileira garante a presunção de inocência até o julgamento final do devido processo, o que nem sequer se alcançou até o momento.

 

É evidente que essas condições demonstram uma prisão feita com violação das garantias fundamentais e com motivações claramente políticas, sem guardar relação com um delito que se enquadre em um marco típico penal, com uma duração e penas acessórias que pretendem afastar a figura pública de Lula da Silva do processo político nacional, e assentar as bases para discriminar a outras pessoas de tendências ideológicas distintas por meio de procedimento irregular.

 

Esses fatos enquadram o caso naquilo que o Conselho da Europa define juridicamente como uma prisão política, e a Anistia Internacional como uma prisão de consciência.

 

Portanto, a Associação Americana de Juristas declara que Luiz Inácio Lula da Silva é um preso político e se soma à campanha internacional por sua libertação imediata, participando da campanha "Lula Preso Político" para que alcance repercussão internacional ampla. Exortamos as organizações de juristas no mundo a participar desta campanha e a se pronunciar no mesmo sentido.

 

30 de abril de 2019

 

Assinam:

 

Vanessa Ramos, presidenta da AAJ Continental

Luis Carlos Moro, secretário geral

Beinusz Szmukler, presidente do Conselho Consultivo da AAJ

 

 

CUT / Com informações do Brasil247

 

 

 

 

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