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Sindsaúde MG organiza ocupação do Hospital Galba Veloso

13/12/2017

Para não fechar hospital ortopédico da Fhemig, trabalhadores(as) retomam ocupação da unidade

Escrito por: Sindsaúde MG

 

 

No último dia de cirurgias ortopédicas agendadas pela Fhemig no Hospital Ortopédico Galba Veloso (HOGV), o clima dos trabalhadores e usuários era de resistência contra o fechamento da unidade. A ocupação do hospital pelos trabalhadores e usuários se mantêm e a decisão é não recuar. Na última quinta-feira (07/12), quando estavam agendadas as últimas cirurgias para o hospital, uma comissão do Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte visitou a ocupação e informou que também se mobiliza em apoio ao funcionamento do Hospital Galba Veloso. O presidente do Conselho, Bruno Pedralva, disse que terá na segunda (11) uma reunião com o secretário municipal de saúde, Jackson Machado Pinto, para cobrar um posicionamento do município, que assim como tantas outras cidades mineiras, necessitam do atendimento do Galba Ortopédico.  

 

Os(as) trabalhadores(as) e usuários se organizam na ocupação para ampliar o movimento de defesa da unidade e da estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS). Durante a reunião com o Conselho Municipal de Saúde, denunciaram que para esvaziar o hospital, a informação que circula do Hospital João XXIII é que não havia vagas no Galba, mesmo com leitos vazios na unidade. Segundo os relatos, só conseguiam transferência quem se revoltava contra a situação e tinha conhecimento das vagas disponíveis no HOGV. Vídeos com essas denúncias também estão sendo compartilhados na internet. Em um dos casos, cinco pessoas foram transferidas para unidade depois de questionarem incisivamente na Fhemig.  

 

“A fratura tem um tempo para ser corrigida, se não o osso não consolida. Se a cirurgia não for feita rapidamente seria preciso quebrar o osso novamente para corrigir”, alerta um médico sobre o risco e custo da demora da cirurgia. Para não encaminhar os pacientes aos leitos - vazios - do HOGV, a Fhemig tem direcionado os atendimentos ao Hospital Amélia Lins. Com isso, a marcação de cirurgias está sendo feitas com prazo excessivamente longos que gera apreensão de médicos. Ainda segundo as denúncias, a Fhemig não está informando o número de pacientes do HJXXIII que aguardam, nos corredores para serem transferidos para unidade ortopédica.


O Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde (Sind-Saúde) critica o desmantelamento do hospital e questiona qual o interesse em fechar a unidade. Caso o hospital feche, os pacientes que são encaminhados ao HOGV entrariam na central de leitos e abasteceria, em grande parte, o serviço privado de Belo Horizonte.


Com a estratégia de esvaziamento do hospital, 7 pacientes continuam sendo atendidos no ambulatório da unidade. Um pai de usuário aproveitou a reunião com o Conselho para manifestar apoio total ao movimento e agradecer o empenho dos profissionais que conseguiram reverter um quadro de amputamento da perna de seu filho que está internado na Unidade. O pai falou do medo de seu filho ser transferido já que ele tem grave risco de pegar uma infecção hospitalar e piorar sua situação de saúde.

 

A ocupação tem acompanhado momentos delicados de desrespeito aos trabalhadores e sobretudo aos usuários, que pelas condições físicas podem levar para o resto de suas vidas os traumas desta situação. Pacientes encaminhados para o João XXIII e para o Amélia Lins têm voltado para o HOGV ou permanecem em trânsito por não encontrarem vagas nas duas unidades. Muitos destes já se deram conta da importância do serviço e hoje a ocupação é composta em grande parte também por usuários. A resistência que hoje soma o oitavo dia, já passou pela data prevista de fechamento (11/12 e está disposta a permanecer até que o direito à saúde, garantido na constituição, esteja firmado na permanência do Galba Ortopédico. Não vamos recuar!

 

Entenda a ocupação

 

Aconteceu na terça-feira, 5 de dezembro, em frente ao Hospital Ortopédico Galba Veloso, um ato público em defesa dos hospitais da FHEMIG . O fechamento do hospital que está marcado para o próximo dia 11, é veementemente repudiado pela população, sindicatos, conselhos de saúde, e pelos servidores, que mostram na resistência a sua recusa em deixar seus postos de trabalho.

 

A luta do HOGV, que teve seu início no dia 4 de Julho, já soma alguns capítulos de vulnerabilidade causada pela FHEMIG e de resistência como resposta dos movimentos e servidores. Desde então, a Fundação tem lançado todas as formas de ofensiva para intimidar a luta, porém o que se tem percebido é que a cada nova tentativa de desgastar a força de trabalho, os trabalhadores e trabalhadoras se mostram mais resistentes no propósito de defender a unidade e a saúde pública do estado de Minas Gerais.

 

A manifestação em frente ao HOGV contou com a participação de diversos municípios, como Juiz de Fora, Montes Claros, Barbacena e Teófilo Otoni. Pessoas que vieram de longe, não apenas para gritar pela permanência de um hospital, mas também para dizer na voz das ruas que a população está ciente do que isso representa dentro do conjunto de operações de desmonte da saúde pública no estado e em todo o país. Vieram também dizer ao senhor governador, que sendo ele o representante maior do estado, tem por obrigação ao menos se posicionar publicamente frente a um fechamento da unidade com mais leitos ortopédicos na capital.

 

Além dos movimentos organizados e servidores, vieram também compor a luta, a categoria que representa o maior público atendido pelo HOGV. Dos pacientes acidentados atendidos no Galba Ortopédico, 70% são motociclistas. “Somos 30 mil motociclistas em Belo Horizonte e, se a unidade se fecha, além de deixar de existir o atendimento à categoria, quantas pessoas vão perder o emprego aqui?”, afirma Alex Brant, motofrentista, representante do movimento Voz Motofret.  O Sindicato dos Médicos também compôs o movimento.

 

Dentro outros tantos fatos estranhos que ao longo desses cinco meses tangenciaram o fechamento do Galba Ortopédico, hoje, paralelo a manifestação, servidores e servidoras da FHEMIG que não fazem parte da equipe do HOGV, aproveitaram o momento de retirada dos servidores para o protesto e entraram na unidade para, segundo eles “patrimoniar” os equipamentos. Algo comum de acontecer, mas inédito pelo fato de se tratar de uma equipe extra HOGV. O serviço em geral, é feito pela própria equipe interna.

 

A história que desde julho vem sendo mal contada pela FHEMIG, não convenceu aos trabalhadores e nem mesmo a população. Hoje, diante da negligência da Fundação em se pronunciar uma vez mais e colocar as cartas na mesa, as servidoras e servidores do Galba Ortopédico decidiram mais uma vez demonstrar sua resistência na permanência física.  Por volta das 13hs do dia de hoje, ocuparam a unidade com a promessa de saída mediante suspenção do fechamento.

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