Escrito por: Assessoria de Imprensa da CNTSS/CUT

CNTSS/CUT acompanha debate sobre política de comunicação cutista durante 10º ENACOM

Realizado em São Paulo, de 12 a 14 de março, encontro reuniu comunicadores das estaduais e dos ramos para discutir estratégias de fortalecimento da comunicação frente às novas tecnologias e redes digitais.

Roberto Parizotti

10º Encontro Nacional de Comunicação da CUT (10º ENACOM) - 12 a 14 de março 2026 - São Paulo

A Secretaria de Comunicação Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) reuniu, de 12 a 14 de março, em São Paulo, representantes das secretarias estaduais de comunicação e dos ramos para participarem do 10º Encontro Nacional de Comunicação da CUT (10º ENACOM). A atividade, cujos objetivos foram debater estratégias, trocar experiências e discutir os desafios da comunicação sindical diante das transformações tecnológicas e do atual cenário político, foi acompanhada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS/CUT).

De acordo com a secretária de Comunicação da Central, Maria Aparecida Faria, que também ocupa a mesma pasta na CNTSS/CUT, a iniciativa pretendeu ser um espaço para troca de experiências e, ao mesmo tempo, promover o acesso a novas informações e ferramentas, além de compreender como utilizá-las melhor para que a informação chegue de forma mais eficaz à classe trabalhadora. A dirigente menciona que a comunicação sindical possui características próprias, já que seu principal público são os trabalhadores e trabalhadoras.

“Embora a nossa comunicação seja aberta para toda a sociedade brasileira, ela é direcionada principalmente à classe trabalhadora, seja ela formal ou informal, do campo ou da cidade. A ideia é trocar experiências e, ao mesmo tempo, se apropriar de novas informações e ferramentas para que a informação chegue a todos os trabalhadores e trabalhadoras. Cabe a nós colocar as coisas sempre às claras e trazer as informações da forma mais correta e honesta possível para que as pessoas façam o seu juízo de valor”, comenta a dirigente cutista.

Roberto Parizotti

Maria Aparecida Faria, secretária de Comunicação da CUT e da CNTSS/CUT, durante abertura 10º ENACOM

A programação idealizada pretendeu mesclar momentos de formação, debates e contribuições dos participantes, que deverão ser incorporadas como resoluções do 10º ENACOM. Além de um momento inicial de análise de conjuntura, debates sobre novas tecnologias — com destaque para a Inteligência Artificial (IA), redes digitais e o combate às fake news e ao discurso de ódio fizeram parte da agenda. No primeiro dia, 12/03, foram realizadas as mesas “Mídia, partido e trabalhadores: o papel da comunicação partidária e sindical na organização da classe trabalhadora e na disputa de projetos” e “Realidade ou simulacro, verdade ou mentira? Debate sobre limites éticos na inteligência artificial”.

Na sexta-feira, 13/03, os trabalhos abordaram os temas “Comunicação comprometida com a verdade”, “Plataformas digitais na disputa de projetos: leitura crítica das ferramentas de comunicação” e “Comunicação Popular e Projeto de País: resultados de 2025 e estratégias unificadas para 2026”. As mesas, que contaram com as contribuições de especialistas em comunicação dos campos acadêmico e institucional ligados à luta da classe trabalhadora, produziram um expressivo debate entre os participantes e subsidiaram os trabalhos em grupo defindos para aprofundamento da reflexão e indicação de propostas que seriam levadas ao plenário no último dia do encontro para compor a Resolução, 14 de março.

Análise de conjuntura: um olhar sobre a realidade

A Executiva da Central foi representada na mesa de abertura por seu presidente, Sérgio Nobre, e por seu secretário de Finanças e Administração, Ariovaldo de Camargo, que, além da saudação aos participantes, contribuíram com uma análise de conjuntura. Evidenciou-se, nas falas, a importância da organização e mobilização da classe trabalhadora como forma de resistir aos ataques e avançar nas conquistas. O olhar sobre as conjunturas nacional e internacional demonstra uma presença marcante da extrema-direita nos espaços sociais e institucionais.

No caso brasileiro, há a excepcionalidade de um ano eleitoral em que as disputas se apresentam de forma acirrada, e cujo resultado pode representar o avanço da democracia ou o retrocesso a partir de um projeto autoritário de extrema-direita neofascista. Para Sérgio Nobre, esse quadro apresentado coloca a eleição deste ano como decisiva para o futuro político e social do Brasil, sendo considerada a “eleição da vida”, que definirá os rumos do país para as próximas décadas.

Roberto ParizottiSérgio Nobre e Ariovaldo de Camargo, respectivamente, presidente e secretário de Finanças e Administração da CUT, em mesa de análise de conjuntura

O dirigente destaca que o mundo observa a eleição brasileira como uma forma de reafirmação das agendas de direitos humanos, democracia e combate às desigualdades. “O país é hoje uma das principais referências em defesa da democracia e da redução das desigualdades sociais. A importância dessas eleições é defender os direitos humanos, a classe trabalhadora e combater as desigualdades”, afirma o dirigente.

Para ele, a comunicação cutista, voltada aos interesses da classe trabalhadora, tem um papel fundamental no combate à desinformação que circula livremente nas redes digitais, espaço dominado pela extrema-direita e cujas empresas, as chamadas “big techs”, demonstram seu alinhamento com esse campo político. Ou seja, a neutralidade das redes é uma falácia. Nesse cenário, a comunicação ocupa lugar central na disputa política, especialmente diante da influência das redes digitas, da circulação de desinformação e do uso da Inteligência Artificial.

O secretário de Administração e Finanças da CUT, Ariovaldo de Camargo, também destaca a importância da comunicação da classe trabalhadora como forma de resistência a essa onda de extrema-direita e de fake news. Ele critica a visão simplista de que a esquerda não sabe se comunicar. Para o dirigente, mesmo com as dificuldades impostas no ambiente digital, o campo progressista e os trabalhadores conseguiram consolidar uma forte presença política. Defende, ainda, o fortalecimento da presença nos territórios e a ampliação da capacidade de comunicação com a classe trabalhadora.

Novas tecnologias: o avanço da Inteligência Artificial

Para além das discussões sobre redes digitais, fundamentais para a comunicação da classe trabalhadora, o 10º ENACOM aprofundou o debate sobre os impactos da Inteligência Artificial (IA) no trabalho e na democracia. O tema fez parte de uma mesa conduzida pela vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, que buscou refletir sobre como as novas tecnologias estão transformando as relações de trabalho e o debate público.

Para os participantes, é fundamental que a classe trabalhadora se aproxime desse tema e se aproprie dessa ferramenta como forma de avançar nas lutas sociais e na defesa da democracia. Também foi feito um alerta sobre os riscos da Inteligência Artificial no mercado de trabalho, na disseminação de fake news e na manipulação do debate público. Hoje, a IA está presente no cotidiano de diversas categorias profissionais, seja realizando tarefas, seja mensurando a produção dos trabalhadores.

Roberto ParizottiJuvandia Moreira, vice-presidenta da CUT, e Thiago Salvador, ativista digital, durante mesa sobre impactos da inteligência artificial no trabalho e na democracia

“A Inteligência Artificial (IA) é um tema extremamente atual. Ainda há muitos aspectos desconhecidos e, por isso, a CUT tem promovido reflexões sobre o assunto. A IA tem sido usada para espalhar fake news e conteúdo de ódio. É nosso papel combater mentiras e disputar, nas redes e nas ruas, qual projeto de país queremos para o Brasil. Precisamos aprender a usar essa ferramenta a favor do nosso trabalho e da nossa organização. Nada substitui a organização no local de trabalho, a conversa na rua e a mobilização. Precisamos combinar as duas coisas”, acrescentou Juvandia Moreira.

A mesa sobre “Comunicação comprometida com a verdade” foi mediada pelo secretário-geral da CUT Nacional, Renato Zulato. Nesse momento, foram discutidos o trabalho realizado por influenciadores progressistas como forma de combater a desinformação e o discurso de ódio nas redes digitais. Reiterou-se a necessidade de ampliar o diálogo com a sociedade e o debate sobre as pautas do movimento sindical. Para isso, é fundamental consolidar uma unidade no discurso do campo progressista, de modo a dialogar com a vida cotidiana da população.

Nas redes e nas ruas: lugares de luta da classe trabalhadora

Foi relembrada a campanha “Congresso inimigo do povo”, que surgiu de forma espontânea nas redes digitais, tornou-se um case de sucesso e levou à mobilização nas ruas. Nesse ponto, Renato Zulato destacou que a comunicação digital não substitui a atuação política direta do movimento sindical, mas deve caminhar junto com ela. Assim, há o desafio de que os movimentos sociais e sindicais se organizem e se mobilizem para assumir o protagonismo nessa nova forma de enfrentamento.

“A comunicação vai ter um papel muito importante nas nossas vidas. Para levar nosso debate e nossas propostas aos territórios, comunicação e formação caminham juntas. A comunicação da extrema-direita, muitas vezes, não tem verdade nenhuma, mas consegue transformar mentira em verdade para convencer a população. O desafio é mostrar que muitas dessas ‘verdades’ são grandes mentiras. Quem vai mostrar a verdade somos nós: os movimentos sindical e populares e a esquerda”, pondera Zulato.

Roberto ParizottiRenato Zulato, secretário-geral da CUT Nacional, e Kriska Carvalho e Lázaro Rosa, ativistas digitais, durante mesa “Comunicação comprometida com a verdade”Caption

A mesa sobre “Plataformas digitais na disputa de projetos: leitura crítica das ferramentas de comunicação”, mediada pela secretária de Comunicação da CUT Nacional, Maria Aparecida Faria, aprofundou os desafios da comunicação progressista nos espaços digitais e a necessidade de presença nesse campo para combater o discurso de ódio e as fakes news. Há a compreensão da importância dessa estratégia de ocupação de forma eficaz e ágil, como meio de conquistar a sociedade com a mensagem da classe trabalhadora, por meio de uma comunicação simples e direta, conectada ao cotidiano das pessoas.

De acordo com a secretária de Comunicação, a defesa da democracia e a disputa de ideias exigem o fortalecimento da comunicação sindical e o engajamento da Central e de suas entidades nas redes digitais. A concepção deste 10º ENACOM, além de compartilhar experiências e fortalecer a comunicação com a classe trabalhadora, buscou também diagnosticar situações que orientarão as práticas de comunicação da Central.

“O 10º ENACOM ocorre em um momento em que é essencial, como tudo na vida, rever a forma de se fazer comunicação. Os sentimentos das pessoas vão mudando conforme a vida acontece, e a forma como elas recebem a informação também muda. Por isso, a comunicação precisa ser dinâmica e evoluir constantemente. Foi um encontro produtivo, com mesas que trouxeram reflexões importantes para orientar a comunicação cutista. A comunicação da CUT, que já é aguerrida e ativa, ficará ainda mais fortalecida após esse encontro”, afirma a secretária nacional.

O trabalho em grupos permitiu uma discussão coletiva em plenário, que resultou na deliberação de estratégias para orientar a comunicação da Central nos próximos períodos. Destacaram-se a necessidade de fortalecer a integração nacional entre a Central e as CUTs estaduais, com maior articulação de estratégias e compartilhamento de conteúdo, além da realização de oficinas on-line voltadas à formação continuada dos comunicadores. Outra iniciativa prevista é a atualização do site da CUT.

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José Carlos Araújo

Assessoria de Imprensa CNTSS/CUT

(com informações CUT Nacional)