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Governo do Estado afirma que vai extinguir Sucen, Furp e Fosp até início de 2021

27/08/2020

Para o SindSaúde-SP, a medida é mais um ataque do governo João Doria aos trabalhadores, pois quer colocar nas costas dos profissionais a responsabilidade da má gestão

Escrito por: Sindsaúde SP

 

O Secretário de Projetos, Orçamento e Gestão, Mauro Ricardo, afirmou para a imprensa, na sexta-feira (7), que vai extinguir a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), a Fundação para o Remédio Popular (Furp) e a Fundação Oncocentro de São Paulo (Fosp), além de outras sete autarquias e instituições de outras secretarias, até o início do ano que vem.

 

Segundo ele, o projeto que será encaminhado na quarta-feira (12) para Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), também propõe um plano de demissão voluntária para as trabalhadoras e os trabalhadores celetistas e aposentados que ingressaram no serviço público até 1983, o que representaria cerca de 6 mil profissionais.

 

Ao chegar à Alesp, o projeto passará pela avaliação das comissões para depois ser votado. “Temos que ficar atentos e mobilizados para que não tratem desse assunto de forma atropelada, assim como fizeram com as discussões da reforma da previdência”, alerta Cleonice Ribeiro, presidenta do SindSaúde-SP e completa: “O governo já alertou que quer aprovar o quanto antes para colocar o plano em prática já no projeto de lei que trata do orçamento de 2021.”

 

Cleonice ressalta que terá uma reunião no dia 26 de agosto, com a participação do Secretário de Saúde e dos superintendentes das autarquias, quando serão cobradas explicações em relação à proposta.

 

Para o SindSaúde-SP, a medida é mais um ataque do governo João Doria aos trabalhadores e às trabalhadoras, pois quer colocar nas costas dos profissionais a responsabilidade da má gestão, usando termos como modernização administrativa para tentar disfarçar mais essa crueldade.

 

Riscos à saúde pública

 

Além de prejudicar os trabalhadores, a extinção da Sucen pode agravar o terrível momento que estamos enfrentando, tendo em vista que a autarquia é responsável pelo controle de doenças como a dengue, em munícipios que não possuem equipes para realizar tal serviço, além de oferecer formação aos profissionais municipais e os insumos para o controle dos mosquitos Aedes aegypti, que transmitem a doença.

 

Segundo o último Boletim Epidemiológico, divulgado pelo Ministério da Saúde, foram notificados 905.912 casos de dengue no país, de 29 de dezembro de 2019 a 18 de julho deste ano, destes 433 pessoas não resistiram à doença e foram a óbito.  São Paulo é o segundo estado com mais registros de casos, foram 205.616 notificações e 108 mortes. “Sem a Sucen, imaginem como ficará a situação?”, questiona Cleonice.

 

É importante lembrar que além do controle do vetor da dengue, zika e chikungunya, a Sucen faz o controle de animais que transmitem doenças como de malária, doença de Chagas, leishmaniose, esquistossomose, da febre maculosa, entre outros.

 

A Sucen já vinha sofrendo com o sucateamento por parte do governo há alguns anos, situação que foi agravada em agosto do ano passado, quando começaram as primeiras mudanças mais radicais na estrutura, como a mudança do organograma da Secretaria de Estado da Saúde, que criou a Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD), deixando a Sucen de lado e piorou com o anúncio do fechamento de 14 sedes e os setores.

 

Fosp

 

No caso da Fosp, se o serviço for extinto, quem fará a reabilitação dos pacientes mutilados por câncer nas regiões da cabeça e pescoço? “É um serviço de excelência, que atende a pacientes de todo o Brasil por meio do Sistema Único de Saúde (SUS)”, reforça Cleonice.

 

A fundação também possui um laboratório que atende a 540 unidades de saúde espalhadas pelo estado de São Paulo. Além disso, são realizados cerca de 250 mil exames de Papanicolau e 13,7 mil biópsias de colo, mama e pele por ano, sem contar os mais de 3 mil exames de imuno-histoquímica realizados por mês.

 

Furp

A Furp produz medicamentos a baixo custo, atende mais 3 mil municípios em todo país e seu fechamento poderia impactar negativamente a assistência à população, além disso afetaria os trabalhadores das duas fábricas (localizadas em Guarulhos e em Américo Brasiliense, no interior). Só na unidade de Guarulhos há cerca de mil trabalhadoras e trabalhadores que temem perder seus empregos caso o Governador João Doria feche a fábrica.

 

Reforçamos que o SindSaúde-SP repudia veementemente a ação do governo ao extinguir as autarquias e fundações.

 

 

 

http://sindsaudesp.org.br/novo/noticia.php?id=6427

 

 

 

 

 

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